A Samsung resolveu aproveitar o último fim de semana para liberar a aguardada One UI 6.1 para os donos do Galaxy A54 aqui no Brasil. Quem acompanha o mercado sabe que o grande chamariz dessa atualização para os aparelhos intermediários não é o famigerado pacote de inteligência artificial, mas sim o novo Quick Share. A ferramenta praticamente virou o nosso equivalente definitivo ao AirDrop e agiliza absurdamente a ponte de arquivos entre o celular e outros dispositivos.
O recurso, aliás, deu um salto gigantesco desde que a Samsung e o Google sentaram na mesma mesa no começo de 2024 para fundir o Nearby Share com o Quick Share original. Para quem não lembra, a primeira versão de 2020 era uma bolha: só funcionava entre aparelhos Galaxy, topava no máximo cinco conexões e dependia de Wi-Fi Direct e Bluetooth. A nova roupagem é bem mais parruda. Ela conversa nativamente com qualquer Android que rode a versão 6 ou superior, lida com até dez envios simultâneos e usa Bluetooth Low Energy para jogar arquivos até para quem não está fisicamente colado no seu celular.
É claro que a tesourada nos recursos mais pesados do Galaxy AI pesou um pouco. Ferramentas que brilham nos topos de linha, como o Circule para Pesquisar do Google e as transcrições automáticas de áudio, passaram longe do A54 nessa leva. Mesmo assim, o pacote de 2,1 GB que traz o patch de segurança de 1º de abril não vem vazio. Ele injeta uma camada bem interessante de IA nas sugestões de criação e edição de fotos e vídeos, além de trazer o app Samsung Find para rastrear aparelhos conectados à sua conta – a resposta direta da marca à rede Buscar da Apple. Se o aviso do update ainda não pipocou na sua tela, o caminho é aquele velho conhecido: Configurações, Atualização de software e depois Baixar e instalar.
Enquanto a base de usuários do A54 ganha fôlego novo com a One UI 6.1, a linha de frente do ecossistema já está com a cabeça em outro lugar, orbitando os rumores da One UI 9 e do Android 17. E aqui entramos em uma discussão de design que a internet tem tratado com um imediatismo cego. O leaker IceUniverse comentou no X que os códigos iniciais da nova interface não mostram uma “tendência de adoção do Liquid Glass”. O problema é que muita gente leu isso como um banimento definitivo, engolindo o contexto de que a situação é provisória e muito mais fluida do que as manchetes dão a entender.
A Apple basicamente chutou a porta com a linguagem Liquid Glass no iOS 26, usando uma estética pesada de saturação e refração. O Google vem correndo por fora no Android 17, costurando um visual translúcido que lembra vidro de um jeito bem mais sutil e difuso nos controles de volume, menu de energia e na área de notificações. A ironia da história é que a Samsung já vem flertando com esse design de vidro fosco desde a One UI 8.5 no Painel Rápido. O que as primeiras builds da One UI 9 apontam é simplesmente uma expansão natural desses efeitos de desfoque. No fim das contas, a Samsung está construindo a sua própria versão do Liquid Glass, ela só não parece fazer questão nenhuma de usar o rótulo hypado da concorrência, deixando uma adoção mais agressiva e totalitária guardada na manga para a One UI 9.5 em 2027.
Essa dança das cadeiras no design do sistema dita também o fim da linha para muita gente. A previsão é que a beta da One UI 9 dê as caras para a série Galaxy S26 agora entre o final de maio e o começo de junho de 2026, com o lançamento estável cravado para julho, pegando carona na chegada dos dobráveis Z Fold 8 e Z Flip 8. A parte amarga fica para quem ainda segura modelos como o Galaxy S22, Z Fold 4, S21 FE e o A53. Eles acabaram de ser rebaixados para o cronograma trimestral de patches de segurança, o que basicamente confirma que a One UI 8.5 foi a última parada. É um movimento clássico do mercado de tecnologia: a virada estética de uma nova era quase sempre cobra o preço da obsolescência para as gerações que ficaram pelo caminho.