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10 grandes momentos da Sega na história dos retrogames

10 grandes momentos da Sega na história dos retrogames | RetroBased

A Sega foi e continua sendo uma grande empresa de games. No Brasil, fez nome nos arcades e brilhou com dois de seus consoles: Master System e Mega Drive, travando uma batalha inesquecível com a Nintendo. Há quem diga que a companhia japonesa deveria ter continuado a produzir consoles depois do Dreamcast, há quem diga que sempre a enxergou como uma desenvolvedora de games e que seu forte nunca foram os consoles.

Opiniões à parte, a lista abaixo, compilada por mim, mostra dez grandes momentos da Sega na história dos retrogames. É claro que no Oriente a Sega lançou bastante coisa — muitas a gente não tomou conhecimento até hoje. Logo, a lista a seguir retrata, digamos, uma visão ocidental.

 

1. Out Run (1986) / After Burner (1987)

Você prefere dirigir uma Ferrari Testarossa Spider ou pilotar um F-14? Por volta de 1988, essa dupla costumava fazer sucesso nas lojas de fliperama de grande porte, principalmente nos shoppings de grandes capitais. O cockpit/cápsula de uma das versões do gabinete de After Burner se mexia, acompanhando o movimento do caça, o que chamava muito a atenção do público. Out Run também teve um gabinete à base de hidráulica para dar mais realismo à experiência de jogo. Nos quatro shoppings do Rio de Janeiro que eu costumava ir muito quando criança (Barra Shopping, Madureira Shopping, Norte Shopping e RioSul) a máquina fazia fila. A Sega lançou posteriormente outros games de corrida para arcade, como Rad Mobile e Daytona USA, mostrando que a japonesa sabia mesmo fazer jogos de carro empolgantes.

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2. Shinobi (1987) / Altered Beast (1988) / Golden Axe (1989)

Cara, que trio! Quem teve a oportunidade de vivenciar esses jogos nos anos 80, de jogar essas máquinas nos tempos áureos sabe o sucesso que elas fizeram. Particularmente os gráficos de Altered Beast e de Golden Axe me impressionaram muito na época. As versões para consoles domésticos — principalmente a do Mega Drive, mas até mesmo a do Master System — nos deixaram com aquele gostinho de levar o arcade pra casa. Esse sem dúvida foi um grande momento da Sega que me fez enxergá-la como sinônimo de jogos de qualidade. Cerca de um ano depois, em 1990, veio Alien Storm, seguindo uma jogabilidade bem parecida com a de Golden Axe, mas não chegou a fazer tanto sucesso. A propósito, lembro de uma abertura clássica de Alien Storm que mostrava justamente os logos dos três jogos antes de exibir o do Alien Storm, como se a Sega estivesse dizendo que aquela era a nova atração do pedaço.

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3. Master System

O console de 8 bits produzido pela Sega para concorrer com o NES foi lançado em vários mercados mundiais e fez história no Brasil. Chegou por aqui somente em 1989 (comparado com o lançamento no Japão, em 1986, ainda com o nome de Mark III) e marcou a estreia da parceria com a Tectoy. A plataforma tinha como uma de suas cartas na manga as versões de muitos títulos da Sega que já faziam sucesso nos arcades, como After Burner, Alien Storm, Altered Beast, Golden Axe, Hang On, Out Run, Shinobi e Zaxxon, e trouxe também para dentro das nossas casas clássicos de outras fabricantes, como o R-Type, da Irem.

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4. Mega Drive / Sega Genesis

O console de 16 bits, conhecido na América do Norte como Sega Genesis, repetiu no Brasil o mesmo sucesso do Master System e deu continuidade à parceria da Sega com a Tectoy. Foi lançado por aqui em 1990 e concorria diretamente com o Super Nintendo, travando uma das batalhas mais icônicas da história dos videogames. Assim como seu antecessor de 8-bits, o Mega Drive tinha como uma das cartas nas mangas as versões dos títulos de sucesso dos fliperamas, dessa vez com gráficos que se aproximavam mais das versões originais. Se por um lado tínhamos Altered Beast, Golden Axe e Super Hang On, por outro tínhamos belezas que nasceram e se eternizaram no sistema, como Castle of Illusion, Chakan, Sonic, Streets of Rage, Super Monaco GP e The Revenge of Shinobi.

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5. Michael Jackson’s Moonwalker (1990)

Mais um exemplo de um gabinete da Sega que chamava a atenção pela bela produção. A versão arcade de Moonwalker era para três jogadores simultaneamente, pegava carona no filme homônimo de 1988, teve um help do próprio Michael Jackson na produção do jogo e tinha Smooth Criminal de fundo. Um mapa do estágio era exibido antes de a fase começar, assim como em outros jogos da Sega como Shinobi e Golden Axe. Houve versões top-down do jogo para diversos computadores da época, entre eles Amiga, Amstrad CPC, Atari ST, Commodore 64, MSX, PC (DOS) e ZX Spectrum, e também versões para consoles de 8 e 16 bits baseadas na original, mas nada se comparava à plataforma System 18 da versão arcade falando “Moonwalker” na tela de início. Apesar de um conhecido problema de bateria na placa System 18 que pode ter trazido dores de cabeça para a Sega, Moonwalker do arcade entra na lista porque vi de perto o quanto essa máquina chamou a atenção e divertiu as pessoas.

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6. Sonic, the Hedgehog (1991)

Aqui eu não falo especificamente de nenhum jogo (apesar de a trilogia do Mega Drive ser inesquecível), mas sim do personagem que nasceu e do ícone que Sonic se tornou. O simpático ouriço azul foi apresentado em 1991 para rivalizar com o Mario da Nintendo e para substituir o cabeçudo do Alex Kidd, até então mascote da Sega — e que aparentemente não tinha tanto prestígio assim. Sonic foi concebido pelo designer japonês Naoto Ohshima e estrelou o jogo homônimo que todos conhecem, e que mostrou muito do poder de fogo do Mega Drive. Não demorou muito, o ouriço caiu no gosto do povo. Podemos dizer que a Sega conseguiu construir um personagem tão popular e carismático quanto o Mario. Aqui vai uma história legal (já conhecida de muitos retrogamers): o primeiro jogo em que Sonic aparece como personagem jogável é o Sonic 1 para o Mega, mas o primeiro game em que o Sonic é visto se chama Rad Mobile, jogo de corrida lançado para arcade em 1991 e onde Sonic faz um “cameo” como chaveiro pendurado no retrovisor do carro.

 

7. Trilogia Streets of Rage (1991, 1992 e 1994)

Tem tantas coisas boas para se falar sobre essa franquia que fica até difícil escrever em poucas palavras. Yuzo Koshiro já havia mandando muito bem com a trilha sonora de The Revenge of Shinobi, mas na série Streets of Rage (Bare Knuckle, no Japão) ele consegue tirar leite de pedra no Mega Drive, criando músicas estilo electro rock que misturavam synths e muitos beats. A trilha é excelente. Por sua vez, a Sega também merece os parabéns por ter conseguido montar uma franquia de sucesso, com personagens fortes, que conseguiu fazer frente ao Final Fight do SNES, jogo já aclamado desde a versão original do arcade. Hoje há quem prefira Streets of Rage a Final Fight e vice e versa. Foi uma rivalidade tão emblemática quanto a própria entre o Mega Drive e o Super Nintendo. Streets of Rage foi convertido para Wii em fevereiro de 2007 e para iOS em julho de 2009.

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8. Sega CD

O Sega CD (como é conhecido no Brasil e nos Estados Unidos) ou Mega CD (como é conhecido no Japão e na Europa) é um periférico que acoplado ao Mega Drive permitia a leitura de jogos em CD. O dispositivo entra nessa lista não por ter feito sucesso ou algo do tipo, mas pelo que representou na época. Foi lançado em 1993 no Brasil, pelas mãos da Tectoy. Ele rivalizou diretamente com outro periférico, o TurboGrafx-CD, do TurboGrafx (PC Engine), primeiro console a ter um leitor de CD-ROM. Em 1994, a Sega lançou um console com o hardware do Mega Drive já acoplado ao Sega CD, chamado de Sega CDX (ou Multi Mega CDX), que aceitava cartucho e CD-ROM. Lembro até hoje de uma revista (só não lembro o nome da revista) que trazia uma propaganda do Sega CD com um CD-ROM do Golden Axe. Eu achava aquilo a coisa mais linda do mundo. É difícil passar para a nova geração essa sensação, mas um CD prensado com os logotipos do Golden Axe e da Sega era uma coisa bem legal no início dos anos 90. Ainda hoje tem um charme, vai dizer que não?

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9. Time Traveler (1991)

Este jogo, lançado pela Sega — e concebido pelo criador do Dragon’s Lair, Rick Dyer — em 1991 para arcade, chamou muita atenção na época por sua proposta de usar uma espécie de efeito de holograma. Como a Wikipedia explica, o “holograma”, na verdade, “tratava-se de uma tela cuja imagem era projetada sobre espelhos curvos, que a refletiam sobre a área de jogo, criando uma ilusão tridimensional por imagens reais, embora estas fossem bidimensionais”. O game era de tiro, com tema de faroeste. O jogador controlava um caubói que passava por diversas épocas, daí o nome do jogo. Os personagens foram interpretados por atores reais, o que aumentava a sensação de realismo.

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Crédito: International Arcade Museum

 

10. Virtua Fighter / Virtua Racing

Lançado em 1993 para arcade, Virtua Fighter foi um dos primeiros jogos poligonais e o primeiro jogo de luta 3D de que se tem notícia. Foi desenvolvido pela AM2, estúdio de pesquisa e desenvolvimento da Sega, mesma empresa que concebeu o Virtua Racing, jogo de corrida lançado um ano antes também para arcade. Juntos, foram os primeiros jogos 100% poligonais da Sega. Um dos atrativos era poder alterar a visão da câmera durante os jogos, tecnologia que foi patenteada pela AM2. Virtua Racing teve versões para Mega Drive, Sega 32X, Saturn e PlayStation 2. Virtua Fighter teve versões para Saturn, Sega 32X e Microsoft Windows.

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É óbvio que houve outros momentos marcantes da Sega nas décadas passadas. Podemos citar, por exemplo, o lançamento de The Revenge of Shinobi com a trilha sonora assinada por Yuzo Koshiro na tela inicial; o portátil Game Gear, que era bem superior ao primeiro Game Boy; ou o Daytona USA, que nasceu no arcade e acabou tornando-se uma respeitada franquia de jogos de carro. De qualquer forma, espero que tenham gostado da lista. Concordam? Discordam? Deixem um comentário aí embaixo. :-)

Carioca, jornalista, empreendedor e nerd. Amante de games e de retrocomputação. Editor do site RetroBased e proprietário da loja virtual Retro Mall. No YouTube, faz resenhas de itens ligados a micros antigos, consoles clássicos e retrogames.
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